
Moraes Moreira fez show ontem à noite, no Teatro Guararapes
O evento ocorrido na noite de ontem, no Centro de Convenções, teria sido melhor se não fosse o ar condicionado, que demorou a ligar; se não fosse a passividade de Davi Moraes no momento em que ficou sozinho no palco; se não tivesse sido tão longo; se não tivesse atrasado tanto... enfim, apesar de toda a qualidade de Moraes Moreira e seu filho, o espetáculo não conseguiu ser o que dele se esperava. E mesmo com tantos sucessos em versões "modernizadas" com estilo, o show foi apenas isso, mesmo: legal, e nada mais.
O cantor baiano entrou no palco bastante atrasado, o que gerou uma certa insatisfação na plateia, que aguardava o show com ansiedade - e calor, já que o ar condicionado estava desligado. Quando entrou em cena, Moraes iniciou o show cantando a clássica "Canta Brasil", na qual pôde mostrar um pouco de sua enorme destreza no violão. Pouco tempo depois, seu filho subiu ao palco, e aí começou uma bela parceria entre os dois: Moraes no violão e Davi na guitarra baiana. Tocaram algumas músicas (e aí Davi mostrou toda a sua habilidade no instrumento, fazendo lembrar o memorável Pepeu Gomes, ex-colega de seu pai), com Davi passando da guitarra baiana para a guitarra elétrica- e mantendo o nível. No entanto, quando Moraes deixou o palco por alguns minutos, o show teve seu pior momento: Davi Moraes tocou uma música dele, letrada por Carlinhos Brown, que destoou um pouco do repertório que vinha sendo tocado. A plateia ficou claramente desanimada, e nem mesmo quando Moraes Moreira voltou, o show conseguiu voltar a ser o que era, mesmo com o músico "apelando" para sucessos como as eternas "Acabou Chorare", "Mistério do Planeta" e "Preta Pretinha".
Apesar de tudo, ainda assim o show foi bastante interessante. Primeiramente, pela qualidade incontestável dos músicos presentes: Moraes Moreira é um dos maiores violonistas da música brasileira, enquanto seu filho dá claros sinais de que é, hoje, um músico de ponta, sobretudo na guitarra baiana. Em segundo lugar, o show teve vários clássicos da música brasileira, tanto dos Novos Baianos quanto da carreira solo de Moraes. E com todos esses sucessos, só uma catástrofe poderia classificar o show como ruim.
Além disso, vale aqui uma menção às composições interessantíssimas de Moraes. Um pouco vazias e desconexas em relação ao cotidiano, é verdade, mas ainda assim, recheadas de referências a outras artes e artistas. Quase como o que se poderia chamar de um neoparnasiano, Moraes Moreira é a síntese da "arte pela arte": evoca em suas letras o belo, o perfeito, o clássico. Jobim, Strauss, Olavo Bilac (coincidência?), Chopin, Caetano Veloso e Manuel Bandeira são apenas alguns dos nomes lembrados pelo cantor em suas canções.
Apesar de ter sido um evento um pouco abaixo do esperado, é impossível ignorar a presença marcante de um dos mitos da música brasileira, que mesmo com algumas dificuldades, conseguiu nos brindar com um show digno de aplausos e reverências. Salve, Moraes!

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