sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A malandragem de Meirelles

Malandrão, hein, Presidente?


Como alguns de vocês devem ter visto neste link, ao longo do dia, o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, declarou que "só continuaria no Banco Central se sua autonomia na função não fosse ameaçada". O banqueiro, que tem conduta marcada pelo conservadorismo em relação ao restante do governo Lula, desde a eleição de Dilma tem sido pouco cotado para continuar na equipe da presidente, ao contrário do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que sempre se manteve como soberano na disputa pela sua Pasta no próximo governo.

Como também já era esperado - inclusive pelo próprio Meirelles -, a grande mídia brasileira já adotou a declaração como mantra ao longo do dia de hoje, conforme se vê no site desta digníssima revista. A reportagem, evidentemente, faz menção ao caráter supostamente autoritário e ditatorial de Dilma Rousseff, insinuando que mal foi eleita e já pensa em se infiltrar em zonas além de sua competência. Que Dilma é uma mulher de personalidade forte e austera, já é de conhecimento público. No entanto, sua ação na luta armada contra a ditadura militar sempre foi utilizada pela grande mídia como uma mostra de sua personalidade totalitária, como se ela fosse se consolidar como próxima ditadora do Brasil.

Aqueles com um mínimo de discernimento sabem que esta possibilidade é absolutamente inexistente. Afinal, o que levaria uma pessoa que sofreu torturas bárbaras em nome da liberdade a trocar uma democracia plural como a brasileira por um Estado sombrio e fúnebre, dominado por uma ditadura como a que a espancou até a beira da morte? Isto não faz o menor sentido. E faz ainda menos para aqueles que sabem que a luta de Dilma foi por uma causa nobre e justa. Enfim, a hipótese é tão absurda que nem mereceria lembrança, ainda mais na democracia já estável que vivemos, apesar de sua juventude.

No entanto, a grande mídia faz questão de ventilar a possibilidade sempre que pode, tentando conquistar o apoio das classes menos antenadas por meio do terror e do pânico. Evidentemente, isto já não é surpresa para mais ninguém, visto que todo mundo já sabe o que esperar de certos grupos empresariais ditos jornais. O que me surpreendeu foi a artimanha de Meirelles, que se aproveitou da manipulação cretina feita pela mídia para se promover e deixar a bomba nas mãos da presidente eleita, criando-lhe uma instabilidade antes mesmo de sua posse. Vale lembrar que a pobre Dilma já sofrera outro golpe considerável quando o PMDB liderou, na surdina, a formação da gangue que luta para abocanhar ministérios no próximo governo.

Enganou-se quem achou que Dilma terá moleza pela frente.

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