
Presidente Lula na inauguração do navio Sérgio Buarque de Hollanda
Alguns anos após a descoberta da então Ilha de Santa Cruz, a Coroa portuguesa se deparou com um "pequeno" problema: o que fazer para proteger o imenso território da recém-descoberta colônia da ação dos piratas? Sim, porque mesmo sendo uma terra de poucas riquezas - à época, só o pau-brasil era rentável no mercado europeu -, o Brasil foi alvo de piratas de quase todas as outras grandes potências colonizadoras, como franceses, ingleses e espanhois.
Para coibir a atividade destes que roubavam suas riquezas, o Rei de Portugal determinou que fossem feitas as chamadas expedições guarda-costas, que tinham como objetivo defender as parcas riquezas naturais até então encontradas na enorme colônia. Foram realizadas duas expedições, lideradas por Cristóvão Jacques: a primeira entre 1516 e 1519, e a segunda entre 1526 e 1528. Em ambas as ocasiões, os portugueses destruíram várias benfeitorias francesas no nosso litoral, além de terem aprisionado alguns navios piratas também franceses. Apesar destes feitos, o navegador sugeriu ao Rei que a terra fosse povoada, antes que um aventureiro lançasse mão, como diria nosso grande mestre Chico Buarque.
Tendo o povoamento como único recurso para afastar os perigos da pirataria, o Rei então decretou a criação das capitanias hereditárias, concedendo a responsabilidade de povoar a colônia à "iniciativa privada", se é que assim podemos chamar. Esta medida aumentou a população de portugueses em terras brasileiras, além de ter acrescido o número de embarcações em águas brasileiras, possibilitando um combate muito mais efetivo aos navios piratas franceses.
Pois bem. Quase 500 anos depois, o Brasil está às voltas com a mesma discussão. Durante a semana passada, o Presidente Lula foi ao Rio de Janeiro para inaugurar o navio Sérgio Buarque de Hollanda, cuja madrinha foi a cantora Miúcha, filha do homenageado e irmã do citado Chico. Esse acontecimento simboliza o renascimento da indústria naval brasileira, que vinha sendo boicotada e destroçada pelos governos liberais desde os anos 70. Explico melhor: nesta década, como se pode ver neste link, o Brasil chegou a ter a segunda maior indústria naval do mundo, requisito crucial para um país que busca sua soberania absoluta no cenário global.
Este patrimônio de valor inestimável, criado durante o governo de Getúlio Vargas, foi torrado pela ditadura militar e pelos governos posteriores à abertura democrática, que pregavam aos quatro ventos a falácia do Estado mínimo. A Lloyd Brasileiro, empresa estatal que era referência na indústria naval mundial, foi enfraquecida aos poucos e entregue sem dó ao capital estrangeiro, assim como outros serviços essencialmente estatais que não vêm ao caso no momento. Este processo ocorreu graças aos acordos de desmilitarização assinados pelo Brasil, em que só os países emergentes se desarmavam, para que as potências capitalistas pudessem nos vender seus armamentos, navios e aviões militares.
A retomada da indústria naval é de fundamental importância para a consolidação da soberania conquistada pelo Brasil durante os oito anos de Governo Lula. Afinal, como um país que não tem forças para se defender pode proteger suas riquezas dos interesses estrangeiros? Além do mais, com a descoberta do pré-sal, cresceram os olhares do capital transnacional em nossas reservas, o que torna ainda mais imprescindível a retomada também do processo de militarização, estagnado desde a famigerada e "milagrosa" década de 70. Isso tudo sem falar na consequente geração de empregos em uma indústria que precisa de bastante mão de obra, especializada ou não.
Além do navio Sérgio Buarque de Hollanda, estão em fase de planejamento ou construção mais 82 navios e 8 submarinos nucleares, formando uma esquadra que deverá ficar pronta em 2047. Com atitudes como esta, o Brasil sinaliza que não vai abrir mão de suas riquezas naturais, que sempre atraíram a cobiça das potências desenvolvidas. Somando isso à recente compra de aviões para a Aeronáutica e ao investimento crescente no fortalecimento das Forças Armadas, nestes tempos em que os Estados Unidos e a OTAN ameaçam invadir também os mares do sul, o horizonte parece nos mostrar um país cada vez mais respeitado e soberano aos olhos do mundo.

Ótimo post! Ótimo blog!
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