
Julian Assange, fundador do WikiLeaks: queima de arquivo?
Sim, é verdade: já tiraram o WikiLeaks do ar.
Pra quem ainda não sabe bem o que é o WikiLeaks, explico: foi o site que tornou públicos cerca de 250 mil documentos confidenciais da diplomacia norte-americana, vários deles comprovando a participação dos Estados Unidos em golpes de Estado na América Latina e em ações militares ao redor do mundo. Além disso, foram revelados telegramas e cartas que demonstram com clareza a intenção dos EUA em derrubar governos como o de Ahmadinejad e Chávez. Nenhuma grande novidade para alguns, mas uma grande mudança de paradigma para aqueles que acreditavam naquela conversa mole da luta dos Estados Unidos pela liberdade, pela democracia e pela paz (sic).
As descobertas possibilitadas com a divulgação dos documentos foram inúmeras: uma das primeiras histórias que caíram foi o golpe de Estado em Honduras, que depôs o presidente Manuel Zelaya e colocou em seu lugar o "presidente interino" Michelletti, alinhado aos interesses americanos. Ficou comprovado que os Estados Unidos tiveram participação direta na derrubada do presidente democraticamente eleito Zelaya, como se pode ver neste link. Além disso, diversas cartas deixaram claro que a intenção norte-americana e de seus aliados no Irã era "cortar a cabeça da serpente", numa clara referência ao presidente Ahmadinejad, que ao invés de gritar e espernear contra seus vizinhos que conspiravam contra ele - como seria de se esperar, tendo em vista sua personalidade "tresloucada e lunática" proclamada pela grande mídia brasileira -, tratou de declarar que "os países regionais são amigos uns dos outros e tal provocação (foi assim que ele chamou os documentos: provocação) não terá impacto nas nossas relações com outros países".
Além das questões de Irã e Honduras, tornaram-se explícitos casos de espionagem norte-americana em países como Bolívia, Paraguai e até mesmo Brasil, que vinha sofrendo pressões para abandonar a retomada de sua indústria naval e militar (leia sobre o assunto aqui), conforme ficou provado graças a alguns telegramas trocados entre o embaixador americano no Brasil, Clifford Sobel, e nosso ministro da "Defesa", Nelson Jobim.
O que impressiona é a rapidez com que o site foi tirado do ar. Os documentos foram lançados na Internet no domingo, dia 28/11, e apenas três dias depois, já é extremamente difícil acessá-los na fonte original (estou tentando há uma hora e a página está indisponível). O site que promoveu a maior democratização de informação já realizada no mundo foi tirado do ar (ou, no mínimo, inviabilizado para a maioria dos navegantes) por alguma entidade oculta. Por que logo o WikiLeaks? Quem terá sido o hacker autor dessa façanha? Terá sido um único hacker, ou um serviço secreto, sofisticado e, por que não, estatal de hackers? Dificilmente saberemos as respostas dessas perguntas. No entanto, eu me arrisco a responder: quem tirou o site do ar? Que tal os mesmos que esconderam essas informações todas durante todo esse tempo?

o wikileaks.de ,o ".ch" e o ".hl" ainda estão funcionando!!!
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