
Um sujeito ignorante que vive proferindo pérolas de intolerância e preconceito aos seus próximos é apenas isso: um ignorante, porém irrelevante para a vida social e política de um país. No entanto, quando este mesmo sujeito recebe todo o suporte e a estrutura de uma mídia poderosa que apoia – mesmo que veladamente – o que ele diz, surge um problema de enormes proporções para as instituições democráticas de um país que, lamentavelmente, ainda se vê representado por políticos como o deputado paulista Jair Bolsonaro, do PP-RJ.
A história deste defensor cego da ditadura começou há bem mais tempo do que parece. Exercendo seu sexto mandato de deputado (desde as eleições de 1990 ele está na Câmara), Bolsonaro sempre foi conhecido por seu discurso nacionalista e ultraconservador. No entanto, só recentemente ele foi “descoberto” pela grande mídia, em virtude de suas declarações aterradoras no programa CQC, da Band. Em pleno horário nobre, o deputado destilou todo o seu veneno racista e homofóbico, além de ter afirmado e reafirmado ser defensor do governo militar que tornou o Brasil um dos países mais desiguais e antidemocráticos do planeta. Por conta desta participação “marcante” no programa, o deputado posteriormente foi réu no Conselho de Ética da Câmara, acusado de quebra de decoro parlamentar. Entretanto, saiu ileso do processo.
Depois das infelizes declarações na TV, Bolsonaro assumiu de vez o posto de ícone da extrema direita no país. E encontrou na grande mídia um solo fértil para disseminar suas ideias e argumentos em favor de causas como o regime militar, a não aprovação da PLC 122 – que assegurará proteções e garantias à população LGBT, que sofre diariamente perseguições e assassinatos brutais –, o controle de imigrantes no país, a tortura e a pena de morte, entre outras causas, digamos, ingratas. Seguindo à risca a máxima do “falem mal, mas falem de mim”, o deputado conquistou um grande espaço na mídia, que inicialmente parecia estarrecida com as ideias do deputado, mas que hoje parece ter encontrado nele uma um feroz defensor “da moral, da família e de Deus” (sic).
Não é de se espantar que tal aproximação tenha ocorrido. Nossa imprensa ainda é a mesma que compactuou e colaborou com o golpe militar e que chama o período de "ditabranda" (expressão cunhada pelo notável democrata Augusto Pinochet, ao defender seu governo democrático). É a mesma responsável por episódios como o debate editado entre Collor e Lula, ou até mesmo pelo caso que ficou famoso como "bolinhagate". Logo,não é preciso ser nenhum Gênio para saber que ela será sempre capaz de qualquer tipo de armação ou aliança que tenha como finalidade preservar o nosso status quo. E Deus. E a família.

Comentando sobre o que há de relevante no texto, o que realmente quis ser dito no fim do primeiro parágrafo, em "deputado paulista Jair Bolsonaro, do PP-RJ"?
ResponderExcluirO deputado se elegeu em São Paulo pelo PP do Rio de Janeiro; ele é deputado estadual de São Paulo, mas por ser homofóbico e Campinas ser a capital nacional dos homossexxuais decidiu se filiar ao PP do RJ; ele é paulista e é deputado estadual do Rio de Janeiro; ou é paulista e se elegeu deputado federal no RJ?
Ele é paulista de nascimento, porém eleito pelo PP-RJ.
ResponderExcluirGostei do texto. A mídia televisiva brasileira é liberal só no papel. Seu lado reacionário é exposto nos menores detalhes...
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