terça-feira, 27 de março de 2012

A cultura da balada






Este é o pensamento que tomou conta do mundo em que vivemos.

Um mundo em que se nasce, se cresce e se morre pensando apenas no temido e duro mercado de trabalho. Onde as escolas e colégios não preparam os alunos para a vida: preparam, claro, para o mercado de trabalho. Talentos, vontades individuais, são suprimidas em nome de um mísero emprego, que paga um salário muitas vezes ainda mais mísero. Mas nesse ponto, nada mais importa: o importante é sobreviver, mesmo que trabalhando numa coisa que se odeia.

Um mundo no qual uma carga horária de 8h de trabalho não é mais suficiente: o funcionário dedicado, "que coloca a empresa em primeiro lugar", que "quer crescer na vida", é aquele que fica no trabalho depois do expediente. Trabalha mais do que o estipulado em seu contrato, sem ganhar nada a mais. Apenas porque se ele não o fizer, sua empresa contrata outro que o faça sem reclamar.

Quando se sai do trabalho, é quando se presencia o auge do nosso processo "civilizatório", o apogeu do "progresso" urbano: os engarrafamentos, ou congestionamentos, para outros. É aqui que perdemos horas valiosas de nossas vidas. Envelhecemos, nos estressamos. Mas vivemos na cidade grande, o sonho do mundo civilizado. O que mais podemos querer?

Depois de cinco dias exaustivos, de uma jornada de trabalho de mais de 40h semanais (às vezes, 50, 60 horas... existe limite?), de 10 ou mais horas semanais de trânsito congestionado, eis que a semana chega ao ápice: vamos todos para a balada!

Afinal, pra que se importar com a arte, com os problemas do mundo, se podemos apenas viver nossas vidinhas e cair na balada no final de semana? Se as bandas, as músicas (até mesmo quando são de gêneros diferentes), os locais e as pessoas são sempre os mesmos, pouco importa: só queremos mesmo curtir, não é?

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